quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Erosão
Se existe uma única coisa que provoque saudades, é o aparato publicitário, a pompa militar, de aspiração nacionalista, o velho desmorto, podre, caquético, do poder estatal, fálicos fuzis e esverdejantes amazonas, dos caricatos étnicos, tudo em seu devido lugar, hermético.
“No meu tempo, não existia pobreza, não existia violência”, eles dizem, o tempo todo, buscando expiação moral para sua incapacidade cívica, em nossa sociedade televisiva, a visibilidade traduz o realístico, o jornalismo frio, narcótico, que te amputa da realidade e trás sua psique para o horror além-muros, em tempos de censura, controle marcial da mídia tornou invisível nossos mortos, nossos silenciados e esfomeados.
Não é a toa que o termo “vocês do Brasil” existe, a sessenta anos atrás, Brasil era sinônimo de sudeste, ou espere, quando é que nunca foi? O progresso foi e é relativo, tiranicamente relativo.
Existe maior violência que o silêncio? O obscurantismo? Em abrir mal de suas liberdades civis para que os males da democracia não sejam extintos, mas meramente ocultados?
Em algum momento, a ilusão da nostalgia foi exceção?
Você consegue escutar? São os alicerces da democracia erodindo de dentro pra fora...
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Um breve insight sobre a palavra “economia”, que vem de Oikos (Casa) e Nomos (Lei, costume) e ecologia, que soma o Oikos a palavra Logos, que significa “estudo”.
Embora a palavra economia tenha recebido um enfoque maior nas ciências da administração, e sua ligação com o capitalismo e a pobre ecologia tenha terminado como matéria obrigatória para adolescentes entediados e professoras frigidas, é notável a relação entre Logos e Nomia.
Economia, como ciência, surgiu da necessidade do homem de gerir bens limitados, a priori, é a pedra fundamental de nossa existência, economia, doméstica ou financeira.
Estudar os costumes da casa (Ecologia) significa contemplar de forma crítica a escalada de nossos costumes.
Enquanto nossos queridos amigos fazem a boa luta, com vaidade travestida de terrorismo poético, de jornalistas de dedos furiosos atacando políticos caducos, eis um olhar mais, atômico:
Trabalho e tenho residência no município de São Paulo, e como todo assalariado, tenho o habito de sair da cidade em horário de rush. Janeiro, assim como Dezembro, é época de temporais de verão, chove, alaga-se as principais vias de acesso e somos jogados em uma situação de desordem.
Em dados mais recentes, acredita-se que para cada dois paulistanos, exista um automóvel circulando pela cidade, se levarmos em conta que metrópole abriga espantosos 11 milhões de habitantes, temos em média, 5,5 milhões de automóveis particulares.
Agora, sério, todo o problema da cidade é uma questão espacial, todo dia, 5,5 milhões de habitantes, engarrafados, produzindo toda sorte de poluição: contaminando solo, ar, eletromagnetismo, sonora, estética.
Para você ter uma noção, um ônibus em lotação máxima – sim, eu contei – abriga cinqüenta passageiros. Só nessa afirmação, você pode ter uma perspectiva de quanto o impacto pode ser mitigado, agora se você pensar que existe, em média 15 mil ônibus circulando pela cidade. Sim, já são 375.000 carros a menos circulando, o que é um numero considerável.
O gasto, com o atual preço da passagem, em um trajeto de ida-e-volta usando ônibus + metro, sai, contando em dias úteis, por volta de R$40,50, se você pensar, que o Brasileiro médio, gasta R$50,00 em gasolina a cada 5 dias, você tem a economia de R$9,50 por semana, quase R$38,00 por mês, %7,5 do salário mínimo.
Economia e ecologia é isso, sondar o ambiente cujo se encontra e saber gerenciar melhor o que acontece a sua volta, economia, poder de decisão, salvar o mundo ou dirigir seu carro, emissor de CO2, Freon e outras merdas, é uma decisão sua.
Salvar o mundo e economizar uma grana, sem mistério.
Depois você pensa bem, se a culpa pela nossa situação é de um político jurássico, ou sua, ouvindo música alta no seu carro ligado em pleno engarrafamento. Non ducor duco, em plena enchente? Não, creio que não...
P.S.: Mês passado, o Prefeito Kassab gastou 6 milhões na construção da tradicional – e saturada – árvore de natal nas imediações do Ibirapuera, colocar a merda debaixo do tapete não adianta, pense bem quanto desses milhões podiam ser divergidos para obras infra-estruturais e auxilio social. Puta presentão de natal para ficar imaginando, não?
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Pequenos grandes insights sobre a situação política na agenda pública nacional (e internacional!)
Na minha profissão, existe o CONAR, Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária, regido por pessoas de dentro da área, que formam um Conselho de Ética que é ativado através de solicitação, seja de um consumidor (quando o produto é incompatível com o enunciado) ou quaisquer grupos que se digam lesados (vide brigas entre operadoras de telefonia ou marcas de cerveja).
Muita gente confunde o CONAR como uma espécie de órgão censor ou assembléia de tira-teimas empresariais, pelo contrário, a instituição espera que toda peça seja vinculada e que exista respeito quanto a normas.
Quando se fala em norma, busca-se cumprir premissas, por exemplo, como: não expor conteúdo falacioso, não ludibriar o público, não denegrir ou ofender um nicho de público ou marca concorrente.
Funciona? Sim, desde 1977 temos mais de 6.000 casos concluídos na justiça, o que demonstra a credibilidade do órgão.
Porem, a instituição é não-governamental, e sua participação em comunicação política é nula, em muitos casos, quem toma as rédeas são os Tribunais Eleitorais.
FENAJ e a Operação Faktor
Dentro da imprensa, o que existe é o FENAJ, Federação Nacional dos Jornalistas, que mantém um protocolo de ética profissional. Vale a pena um case que ilustra a questão ética e o confronto de interesse individual e público:
Quem acompanha o cenário político do país sabe da censura do jornal Estado de São Paulo sobre as investigações realizadas durante a Operação Boi Barrica (agora nomeada Faktor), no qual Fernando Sarney estava sendo alvo de investigações e teve a quebra de sigilo decretada pelo próprio STJ.
O papel do Estado de São Paulo nessa história foi de transmitir aquela noticia, coisa de interesse público, o Embargador Dácio Viera interviu, e os Advogados da Família Sarney acusam que a matéria do jornal irá promover danos irreparáveis a honra e credibilidade do alvo de investigação.
Agravantes: 1 – Dácio Vieira é amigo próximo do José Sarney, segundo homem mais poderoso do país, 2 – ficou explicito que embora Fernando Sarney seja um empresário, as práticas ilícitas envolvem contratos governamentais 3 – foi um ato de censura, e por conseqüência, obscureceu-se uma questão pública em prol da vaidade individual.
Por conseqüência, o FENAJ trouxe a tona o debate da censura e sigilo da informação ao público.
Schering – a uma década ludibriando o seu público
Outro caso relevante é Schering Farmacêutica e Química, que após o vazamento de um lote falho de anticoncepcionais Microvlar , desenvolveu uma gestão de crise incapaz de lidar com a pressão pública e os órgãos de imprensa.
Entre os estrupícios cometidos pela Schering, foi a falta de esclarecimento ao público, ou seja, nenhuma declaração oficial foi omitida, nenhum procedimento de recall (argumentaram que não foi encontrado nenhum “placebo”), e em diversas notas a imprensa, declarou desde a atuação de uma quadrilha originária do público interno (funcionários e terceirizados), até mesmo recorrer na Justiça contra um possível esquema de golpe por parte das mães, o caso começou em 1998 e repercute até hoje.
Será que o Conglomerado da Indústria de entretenimento comete pirataria?
Por final, vou entrar num assunto mais delicado, que é minha área de ativismo, a questão de “Pirataria x Cultura Livre”, grupos da industria de entretenimento acusam sites de torrent e usuários de P2P de promoverem a pirataria.
Pirataria é quando você diverge lucros do proprietário original daquele bem, então quando você baixa um CD de música, você está lucrando, tomando dinheiro de alguém, é contestável dizer que não.
Enquanto a RIAA (Recording Industry Association of América) Induz multas multimilionárias a adolescentes e universitárias, demonstrando assim um apego retrogrado a medidas dracônicas, alegando o prejuízo anual de U$12.5 bilhões, conglomerados de entretenimento japoneses, como a Shueisha, entendem a intervenção de fãs como uma forma de mídia espontânea.
Se alegamos a perda institucional em bilhões por causa da violação de copyright, a responsabilidade lembra muito o caso da Schering, levantando questões como: 1 – quem é responsável por disponibilizar o material, e pior ainda, 2 – se perde 12.5 bilhões de dólares, como estes são restituídos em modalidades de mídia não-formais (redes sociais, blogesferas, buzz, virais)?
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Um pequeno garoto, uma grande explosão.
Com o tempo, o silêncio, a impressão do fato permaneceu no cerne do pretérito, por um tempo, ingênuos, podíamos dizer – em nossa eterna relatividade do tempo – que o fantasma da bomba tinha desaparecido.
Como a radioatividade que agride nossas células, desenvolvendo cânceres e outros horrores, ela atravessou a barreira dos dogmas, charfudando em nossos fracos memes percorreu o mundo, radioatividade que se proliferou nos sinais de rádios, nas transmissoras UHF, nos cabos de fibra ótica e então infectou meus olhos.
Meus olhos alargaram, minha psique foi amputado, o portão de um mundo narcótico se abriu na minha frente, seios volumosos, violência rítmica, dublagem tosca, dólar em queda, piedade, eu só tinha oito anos de idade.
De uma grande explosão, estilhaços, farpas, detritos virulentos que fincam debaixo de nossas axilas, reproduzindo, retransmitindo, a vida é bela, quando a mesma é em primeira pessoa.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Então a era mecânica se intensificou, uma violenta ruptura eletrônica veio a tona, cabos de fibra ótica, micro-chips, a capacidade de digitalizar e comprimir material, desenvolver acervos, hoje se fala no “Cloud”, o sistema de nuvem, acessível, já não tão dependente do hardware.
Claro que nada disto é resultante de um processo idílico, Richard Jordan, ao desenvolver um sistema mecânico onde ao girar uma manivela, se disparava mais projéteis, quantificado uma relação de despesas/morte/tempo, tem sua origem na maquina de Guttenberg.
A Guerra, isenta de narrativas, é a indústria da morte.
Oppenheimer, já mencionado neste blog, permitiu que energia via fissão atômica fosse liberada para fulminar uma cidade retrograda de população camponesa, Einstein, famoso por seu “pacifismo”, esteve entre a vanguarda que aconselhou o Presidente Roosevelt a ter maestria da energia nuclear antes dos Nazistas, percebe a contradição?
Quando Little Boy despencou dos céus, Paul Tibbets e os outros tripulantes do Enola Gay jamais poderiam antecipar o impacto de uma explosão que nivelou uma sociedade demograficamente e culturalmente, embora, a muito tempo, os efeitos da radiação já tenham se dissipado do solo nipônico, ecos daquela explosão ainda ressoam no subconsciente de artistas e gerações.
Embora omitido dos anais canônicos de nossa história, a IBM, a pedido do Herenigde Nasionale Party desenvolveu um sistema de chips para segregar a população durante o Apartheid.
E hoje em dia?
Você acredita existe uma coincidência entre o surgimento no mercado de processadores bi-nucleares e OS-x64 após o início da Guerra ao Terror durante a Era Bush? Que mídias de armazenamento surgiram com o propósito de arquivar conteúdo audiovisual?
A era mecânica terminou faz décadas, e hoje vivemos o ápice da era da informação, o pós-humano, a cibercultura global, o que mudou?
Nada.
Tecnologia e Militares, continuam andando de mãos juntas, desde a época que o homem ensinou aos seus comparsas que lascar o topo de um galho poderia machucar o próximo.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Violência & Ruptura
E Oppenheimer pronunciou o mortificante trecho do Bhagavad-Gita: “eu me tornei a morte, o destruidor de mundos”, talvez nenhuma outra frase simbolize a lógica de sucessivas rupturas na história da civilização.
A sociedade é um sistema reacionário, não ideológicamente, mas sucetivel – e eu diria, viciado – em em choques traumáticos, a autoridade deste tipo de impacto desenvolve a angústia – e como diria Freud, precede a criatividade, esta necessária para a introdução do caos em um sistema ordenado e pela emergência de soluções efêmeras.
Se alguem é o responsável por isto, é a máquina de Guttenberg, o ancestral comum de todas as contrapções e engrenagens, o paciente zero do vírus tipografico-imagético, a pestilencia que impregnou nosso intelecto com a racionalidade tecnicista.
Técnica, a friesa burocrática, o fascismo israelita, construido sobre as pilhas de cadaveres em Auschwitz, a curiosidade dos cientistas japoneses em Nana-san-ichi butai, o poder inquestionável do rádio, Hitler FM berrando o gueto ascendente, injetando fashionismo nas entranhas de seus ouvidos.
Então a dissimulação, pornografia bem quista, a violência reduzida, antropomorfia, belezas inatingiveis, extasiantes, a engorda de Orfeu. Hollywood e Barack Obama estão aqui, para nos amar e salvar da ameaça, do medo, do vilão sempre próximo.
A cabeça de João Batista reside na atemporal Breslau, onde os mirmidões de Yog Sothoth dançam a sua volta, sua glossolalia ululante emana as previsiveis profecias de um amanhã sacal.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
#Brazilgate Parte 1: Transmetropolitan e a Política Brasileira.
Sempre considerei o gênero de histórias em quadrinhos como uma mídia trascedental, onde os limites da burocracia e da ética Hollywoodiana existiam, HQs podiam facilmente ultrapassar, quase que em conjunto com o cenário musical – antes desta nova onda conformista, é claro – não é a toa, que Watchmen, por exemplo, é fortemente inspirado em canções de Bob Dylan, Hendrix, mas, não, dessa vez não vou falar sobre Alan Moore.
Uma das HQs que marcou minha vida, foi “Transmetropolitan” de Warren Ellis, que narrava a empreitada do gonzo-jornalista Spider Jerusalem em denunciar um governo cínico e corrupto que reinava com mão de ferro uma megalópole pós-humanística. O argumento da série conciliava bastante com minha visão de mundo, adolescente, recém imerso no dialogo crítico, as vicissitudes do próprio cotidiano Brasileiro foi combustível para minha imersão na série.
E você pode – e deve!- se indagar: O que Transmetropolitan tem haver com nossa cultura? Muitas coisas, mas apenas para refrescar nossa memória coletiva sobre um dos últimos incidentes da política brasileira, José Sarney, que foi considerado pelo próprio Presidente da Republica impossível de ser julgado por meios comuns protagonizou um debate em escala nacional, acusando a mídia de inimiga do povo, políticos de fascistas, e mantendo a corriqueira indiferença quanto a opinião pública.
Sem contar as denuncias de nepotismo, mensalões, tráfico de influencia, escândalos sexuais e diversos eventos, que talvez por repetição e narcose de nossas mentes, estamos propelidos a ignorar e generalizar.
Sarney, Lula, Alencar, Kassab, Collor, Dantas, todos tem um pouco de Gary “Smiler” Callahan, e toda polemica de regulamentar a propaganda política na internet, os horários de propaganda obrigatória, as censuras em forma de concessões governamentais na mídia, ferramentas para desarticular o debate político.
#Brasilgate começou conosco, eternamente em busca de bodes expiatórios para nossas frustrações projetadas na era da informação, criamos uma vitima – admito, palavra fortíssima – justamente a pessoa que nos ofereceu ferramentas para reverter esse processo.
Ou porque você acha que Pixel Magazine, Vertigo, Metal Pesado, Brainstore e tantas outras saíram de circulação?
Quando eu puder, #Brazilgate Parte 2: Global Frequency e ativismo.